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O sistema global de energia não sofre com a falta de capital. O que falta é capacidade de execução. Dra. Marit Brommer, CEO da associação internacional de energia geotérmica, explica. 

O sistema global de energia está em um ponto de inflexão. Os lucros recordes no setor de óleo e gás criaram uma oportunidade histórica para agilizar o investimento em energia confiável e com baixa emissão de carbono. Ao mesmo tempo, a demanda por energia limpa e sempre disponível está crescendo, impulsionada pela eletrificação, pela segurança energética e por grandes consumidores de energia, como o setor industrial e as centrais de dados (1).

Ainda assim, em todos os mercados, o ritmo de execução não acompanha a dimensão da ambição. A energia geotérmica se destaca como um destino natural para esse capital — escalável, despachável e alinhada às principais capacidades do setor de óleo e gás. Nenhuma outra fonte de energia se iguala em capacidade de fornecer energia contínua, doméstica, com baixa emissão de carbono e em escala de infraestrutura.

Por que a energia geotérmica? E por que agora?

A energia geotérmica é uma tecnologia comprovada. Ela está entrando em uma fase de maturidade comercial e de fornecimento em escala de infraestrutura, apoiada pelo crescente investimento global em sistemas geotérmicos aprimorados e de próxima geração, maior apoio político e avanço regulatório, além da crescente demanda por energia limpa, confiável e disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana.

O potencial é vasto, mas não transforma sistemas de energia. Já os projetos, sim. A expansão da energia geotérmica depende da redução das incertezas da subsuperfície e de entregar resultados com mais rapidez e confiança — um desafio que já está sendo superado.

No projeto de Lumut Balai, na Indonésia (2), por exemplo, a tecnologia integrada de modelagem da subsuperfície da Seequent permitiu à Pertamina reduzir o risco de perfuração de proibitivos 48% para apenas 15%. A energia geotérmica está pronta. Agora, devemos ampliar o fornecimento.

A photo of International Geothermal Association Chief Executive Marrit Brommer at the 2024 NZ Geothermal Workshop in Auckland.

Dra. Marit Brommer, diretora executiva da Associação internacional de energia geotérmica, no workshop de energia geotérmica da Nova Zelândia de 2024, em Auckland.
Fonte: Seequent

Uma base compartilhada: reduzindo riscos por meio de expertise em subsuperfície

Não se trata de uma transição que abandona a expertise em óleo e gás, mas sim de uma realocação dessa expertise. O setor de óleo e gás não precisa se reinventar para liderar o setor de energia geotérmica. Isso porque ambos se apoiam nas mesmas competências e na mesma tecnologia de subsuperfícies.

 

A diferença não está na capacidade, mas em como ela é aplicada — um princípio demonstrado pela Fervo Energy, cliente da Seequent. O diretor de segmento de energia, Jeremy O’Brien, afirmou que, ao adaptar técnicas de perfuração horizontal (3) pioneiras no setor de óleo e gás, a Fervo aprimorou com sucesso o desempenho dos sistemas geotérmicos para fornecer energia confiável e livre de carbono a grandes consumidores industriais, incluindo o Google. Os principais pontos fortes do setor de óleo e gás são diretamente transferíveis. A expertise em modelagem de subsuperfície usada para reduzir os riscos na exploração de hidrocarbonetos é exatamente a mesma experiência necessária para reduzir as incertezas e aumentar a confiança dos projetos de energia geotérmica. Recursos avançados de perfuração e de engenharia de poços são essenciais para acessar sistemas mais profundos, mais quentes e mais complexos, que apresentam o maior potencial. Além disso, décadas de experiência na entrega de projetos de infraestrutura com elevados investimentos de capital geram a capacidade de execução necessária para implantar energia geotérmica em grande escala. Tudo isso é sustentado por um conjunto disponível de talentos formado por profissionais qualificados, cuja expertise pode ser imediatamente redirecionada.

Quando combinados com fluxos de trabalho de subsuperfície integrados e baseados em dados, essas vantagens permitem tomar decisões mais assertivas nas fases iniciais do ciclo de vida do projeto, encurtando prazos, reduzindo custos excedentes e tornando a energia geotérmica financiável em escala. Nesse contexto, os dados de subsuperfície tornam-se uma infraestrutura estratégica — não apenas para projetos individuais, mas para os sistemas nacionais de energia.

Monetização de ativos e aceleração da transição

A energia geotérmica oferece às empresas de óleo e gás um caminho de transição viável que gera valor em vez de deixar ativos ociosos. É um dos poucos caminhos na transição energética que transforma o legado em vantagem. Ela oferece oportunidades imediatas de monetizar a infraestrutura existente, seja reaproveitando poços existentes para calor geotérmico, seja coproduzindo energia a partir da água quente já encontrada durante operações com hidrocarbonetos. Além dos ativos físicos, ela permite que as empresas reutilizem vastos arquivos de dados da subsuperfície, transformando uma biblioteca inativa em uma ferramenta poderosa para aproveitar e reduzir os riscos de novas oportunidades de energia geotérmica.

Essas abordagens transformam ativos e dados legados em fluxos de receita de longo prazo com baixa emissão de carbono. Elas também oferecem uma ponte entre as operações atuais e os sistemas de energia do futuro, permitindo que as empresas realizem essa transição enquanto continuam gerando valor.