Skip to main content

Esta história é apresentada no relatório UnEarthed – geociências para o benefício de todos

No fundo do mar, o material bélico não detonado (UXO, Unexploded Ordnance) é um risco para a construção de parques eólicos no Mar do Norte no Reino Unido, que passou por uma reviravolta histórica que torna a detecção mais complexa do que deveria ser. Matt Grove, executivo de contas estratégicas da Seequent, explica como a geofísica ajuda este ramo do setor de energia limpa a construir de forma mais confiante e eficiente.

O que pensávamos ser áreas de risco bem definidas acabaram se revelando corredores inteiros de risco com munições que variam de altamente explosivas a químicas.

Os parques eólicos são uma importante fonte de energia limpa e, ao redor do Reino Unido, o Mar do Norte é um lugar ideal para instalá-los. Muito vento e, portanto, muita energia; isso não é um problema para ninguém. Mas eles enfrentam um problema, pois as enormes turbinas precisam ser construídas em locais onde há risco de munições não detonadas logo abaixo delas. O que tentamos fazer é reduzir esse risco.

Por que deveria ser esse o caso? Após a Segunda Guerra Mundial, havia uma urgência de se desfazer de munições não usadas. O plano era deixá-los longe no Mar do Norte, bem longe das rotas de navegação ou da infraestrutura. Mas as embarcações comerciais comissionadas para descartá-las nestes polígonos cuidadosamente selecionados e marcados no mapa foram pagos por carga. Portanto, assim que saíram do porto e ficaram do campo visual, muitos simplesmente se livraram da munição e voltaram para carregar novamente.

Consequentemente, há material bélico não detonado em todos os lugares e, muitas vezes, em áreas mais próximas da costa onde os parques eólicos costumam ser instalados.

Acrescente a isso um complicador, pois o Mar do Norte é um ambiente muito agitado. As ondas de areia se movem e migram diariamente, o que desloca essas munições com elas. Em um dia, elas podem estar sob uma duna e, no dia seguinte, elas estão expostas no fundo do mar.

Nunca subestime o que está no fundo do mar

O que pensávamos ser áreas de risco bem definidas acabaram se revelando corredores inteiros de risco com munições que variam de altamente explosivas a químicas. Nunca é uma boa ideia subestimar o que pode estar no fundo do mar. Uma vez, foi realizado um voo prático com uma bomba nuclear viva a bordo; a aeronave apresentou problemas e precisou descartar a bomba no mar. Até hoje, ela ainda não foi encontrada.

Portanto, os levantamentos nessas áreas enfrentam vários desafios e têm uma validade limitada à medida que as condições do fundo do mar mudam. É impossível confiar nos mapas e gráficos antigos. Por isso, muitas vezes, é mais simples e barato realizar um levantamento em toda a área de um parque eólico e considerá-lo seguro do que adivinhar onde é necessário procurar por UXOs.

Há dez anos, realizar um levantamento em uma área tão ampla poderia ser impossível. Era necessário carregar um único magnetômetro a talvez 30 ou 50 metros de espaçamento entre linhas, e terminar com praticamente nenhum dado para trabalhar. Agora, é possível montar 10 magnetômetros em uma estrutura, carregar quatro ou cinco estruturas de cada vez e coletar dados muito densos com poucas lacunas de cobertura. Isso é conhecido como gradiometria.

É verdade que existem outros setores operando no Mar do Norte e que tradicionalmente demonstram menos preocupação com a possível presença de UXOs, e os incidentes têm sido raros. No entanto, a atitude está mudando. O setor de parques eólicos pode ser considerado pioneiro nesta área. Acho que isso ocorre por ser um setor que está tentando atuar corretamente em relação a energia e mostrar o caminho que devemos seguir no futuro; portanto, eles decidiram criar um precedente para isso.

Uso da extensão UXO Marine para identificar anomalias

A busca por material bélico no fundo do mar com uma embarcação, mergulhadores e equipamentos é muito cara. Então, as empresas estão tentando ao máximo usar a geofísica para fornecer uma solução e reduzir o envolvimento humano. Normalmente, eles usam o Oasis montaj da Seequent com a extensão UXO Marine para reunir um grande volume de dados coletados em levantamentos.

Essa configuração de software não apenas consegue fazer todo o processamento, a visualização e a geração de alvos, mas também revelar todos os outros conjuntos de dados que podem estar disponíveis, como varredura lateral, perfilagem e multifeixe.

É possível começar a interpretar, em camadas, a aparência da área dos levantamentos e, em seguida, incluir a batimetria e todos os outros métodos geofísicos a fim de compreender melhor essa anomalia que está no fundo do mar. É uma âncora, uma corrente enrolada, algum detrito que um pescador jogou no mar ou pode ser um UXO? Tudo isso é exibido em um mapa colorido com dados claros que indicam a localização das anomalias.

Compreensão da coleta de ferro

O magnetismo, como ciência, ajuda a identificar qualquer objeto que contenha ferro e, devido à idade dessas munições, a maioria foi fabricada com ferro fundido. O grande desafio é tentar identificar cada um desses objetos que contenha ferro e garantir que o cliente possa se concentrar nos riscos reais, em vez de precisar verificar cada fragmento de metal no fundo do mar.

Após saber a que profundidade o objeto está enterrado, o seu tamanho e a sua localização no fundo do mar, a análise desses dados pode identificar as anomalias que provavelmente compensam ser estudadas em detalhes. É possível fornecer ao cliente a localização via GPS e, em seguida, ele pode verificar com um veículo submersível operado remotamente (ROV, Remotely Operated Underwater Vehicle) controlado por um piloto em uma embarcação próxima ou até mesmo na terra. Esse ROV é equipado com um instrumento geofísico na frente, ou um coletor de imagens na parte inferior, para obter uma compreensão mais detalhada dessa anomalia. E se for uma bomba? Na verdade, raramente faz sentido retirar o material encontrado ou explodi-lo no local. É mais fácil deixá-lo onde está e instalar o parque eólico em outro local. Isso significa que o parque eólico pode ser redesenhado para evitar o problema ou talvez movido completamente se houver um depósito ou uma grande quantidade de munição no local. O risco é reduzido e o projeto pode avançar.

O próximo passo para levantamentos no fundo do mar

Sabemos que há uma grande quantidade de UXOs no fundo do mar e, no futuro, haverá uma exigência cada vez maior para as empresas contratadas desse setor restringirem a lista de alvos às anomalias que são genuinamente importantes.

Devido à forma como os contratos são redigidos, as empresas contratadas costumam errar na questão da segurança e apresentam uma lista de alvos que pode chegar a milhares para levantamentos adicionais. Por exemplo, partes específicas do Mar do Norte têm campos de matacões com uma leve assinatura magnética, e algumas empresas recomendam verificar cada pedra, milhares e milhares delas, mas isso está se tornando inconcebível. A pressão é reduzir esses números.

A tecnologia pode seguir algumas direções interessantes para resolver isso. É possível usar eletromagnetismo. Atualmente, isso é raro no setor, mas permite classificar a munição com mais precisão.

Por isso, acredito que há possibilidades para aprendizado de máquina usando inteligência artificial para analisar os dados e identificar assinaturas.

São várias as maneiras de classificação, e o setor gostaria de ter a melhor delas. Se o método ajudar a gerar energia limpa com mais facilidade, mais economia e menos riscos, será uma contribuição importante e valiosa.

Matt Grove
Executivo de contas estratégicas da Seequent

Saiba mais sobre o Oasis montaj

Saiba mais