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Autora: Maria Nicolaidis, gerente de marketing de segmento

O setor de mineração está em um momento decisivo. Diante da crescente demanda por minerais críticos, do aumento da fiscalização operacional e de um ritmo sem precedentes de mudanças tecnológicas, as empresas de mineração estão redefinindo como exploram, extraem e interagem com o mundo.

No Year in Infrastructure 2025 da Bentley em Amsterdã, Angela Harvey, diretora executiva de clientes da Seequent, reuniu-se com um painel distinto de especialistas do setor para explorar como a geopolítica, a inovação tecnológica, os dados e as novas mentalidades moldarão um setor mais resiliente e responsável.

Entre os palestrantes, estavam:

  • Mark Campodonic, consultor corporativo, geologia de recursos, SRK Consulting (RU)
  • Liv Carroll, diretora administrativa, Accenture, líder de mineração para EMEA e líder global de recursos naturais para dados e IA
  • Chris Jackson, diretor técnico de subsuperfície, WSP
  • Dr. David Skilling, diretor fundador, Landfall Strategy Group

Mineração no centro da transformação global
O Dr. David Skilling afirma: “Não é possível entender a economia global hoje sem entender a mineração. A escala e a velocidade do que estamos vendo no setor de mineração são quase sem precedentes. A corrida global por minerais críticos, do lítio e do níquel aos elementos de terras raras, está remodelando tanto a geopolítica quanto a economia”. Em poucos anos, os minerais críticos passaram a ser um foco central das agendas corporativas e de políticas governamentais, demonstrando que a influência da mineração vai muito além da cava ou do porto.

O Visible Geology da Seequent tem como objetivo mostrar a estudantes e educadores não apenas a importância, mas também os benefícios de seguir uma carreira em geociências

Skilling enfatizou que a função da mineração na transição verde é essencial, não apenas para sistemas de energia, mas também para a resiliência nacional. Enquanto as empresas de mineração tradicionais muitas vezes enfrentam restrições devido às expectativas dos acionistas e aos relatórios trimestrais, os mercados emergentes estão investindo estrategicamente a longo prazo. Ele explica: “Governos de países como a Arábia Saudita e a China têm mais liberdade para alocar capital. Nos países ocidentais, a tendência é de maior participação estatal para manter a competitividade”.

Mark Campodonic, Chris Jackson, David Skilling, Liv Carroll, and Angela Harvey, Bentley’s Year in Infrastructure, October 2025

Da esquerda para a direita: Mark Campodonic, Chris Jackson, David Skilling, Liv Carroll e Angela Harvey, Year in Infrastructure da Bentley, outubro de 2025
Fonte: Bentley Systems

O imperativo da inovação: de navios-tanque a lanchas rápidas
"Historicamente, a mineração não é o setor mais rápido em inovação. É como um grande navio-tanque antigo: você gira o leme e leva tempo para mudar de direção”, compara Carroll. Mas isso está mudando com a inovação moderna, o desenvolvimento ágil de tecnologias e uma transformação na forma como pensamos e trabalhamos. Na Seequent, observamos essa dinâmica de perto: o impulso por inovar contraposto a fatores como sistemas legados e formas tradicionais de trabalho. Mas, depois que a inovação e a adaptabilidade criam raízes, o resultado pode ser transformador.

Campodonic destaca: “Os depósitos mais fáceis — de alto teor e próximos à superfície — já foram encontrados e explorados. Hoje, lidamos com depósitos mais profundos e de menor teor, que exigem novos métodos e uma tomada de decisão mais inteligente”. A necessidade de viabilizar projetos marginais, ao mesmo tempo que se atendem às expectativas de sustentabilidade e ESG, coloca a tecnologia — da inteligência artificial às plataformas de geociências baseadas na nuvem — no centro da criação e da comunicação de valor.

Lições do setor de óleo e gás: o potencial dos dados sob nova perspectiva
Jackson traçou paralelos com o setor de óleo e gás, que há muito tempo utiliza inovações dimensionáveis, como levantamentos sísmicos, para compreender melhor a subsuperfície e tomar decisões com base em informações. “Pense nos dados sísmicos como uma tomografia computadorizada da Terra. Eles permitem entender o que há lá embaixo antes de alocar as pessoas”, acrescenta. Mas Jackson também propõe uma ideia provocadora: a mineração pode olhar para trás, não apenas para a frente. “Empresas de óleo e gás coletaram décadas de dados de furos de sondagem. O uso desses dados pelo setor de mineração poderia nos ajudar a compreender melhor os ambientes próximos à superfície e a aproveitar novas oportunidades de forma sustentável.” O lixo de uma pessoa pode, de fato, ser o tesouro de outra.

Carroll destaca que os investidores tendem a favorecer tecnologias consolidadas. No entanto, “se queremos inovar, os stakeholders precisam estar mais confortáveis com novas técnicas, incluindo a adoção de tecnologias de outros setores”. Ainda assim, a inovação avança, apesar do ceticismo que costuma acompanhá-la, reforça Campodonic. Quando o software Leapfrog foi introduzido pela primeira vez em 2004, "as pessoas não confiavam no resultado. Parecia uma caixa preta", relembra. “Agora, ele é o software de referência para modelagem geológica em todo o setor de mineração.”

Em janeiro de 2025, a Aramco, empresa de óleo e gás da Arábia Saudita, e a Ma’aden, mineradora de múltiplas commodities, anunciaram um empreendimento conjunto para ampliar a capacidade nacional de extração de minerais de migração, especialmente lítio.

Construção da força de trabalho do futuro
Com o envelhecimento da força de trabalho, a queda nas matrículas em cursos de geociências e o aumento da lacuna de habilidades, quem conduzirá o futuro da mineração? A Agência internacional de energia estima que o setor de mineração precisará dobrar sua força de trabalho qualificada até 2040 para atender à demanda por minerais críticos. Como incentivamos nossos filhos a escolher uma carreira na mineração? Jackson argumenta que tudo depende da mensagem que passamos ao público mais jovem. Ele diz: “Se você quer causar um impacto positivo no mundo, da energia sustentável à gestão responsável dos recursos, as geociências são o caminho certo”. De forma ainda mais prática, “precisamos falar sobre a longevidade e a segurança da carreira. É uma profissão que garante sustento e um teto sobre a sua cabeça”, sem falar nas vantagens de poder viajar.

Campodonic acrescenta: “Precisamos mudar as percepções. Geologia não se resume a fósseis e vulcões, coletes de alta visibilidade e capacetes de segurança”. A nova geração já nasceu no mundo digital, e ciência de dados, a automação e a inteligência artificial são linguagens que ela já domina. Se conseguirmos mostrar a esses jovens que uma carreira na mineração significa ajudar a construir um futuro sustentável, trabalhar com tecnologia de ponta e gerar impacto no mundo real, esse passa a ser um caminho que vale a pena escolher.

O Visible Geology da Seequent tem como objetivo mostrar a estudantes e educadores não apenas a importância, mas também os benefícios de seguir uma carreira em geociências

Inteligência artificial e o elemento humano
Poucos tópicos geram tanto debate quanto a inteligência artificial. Da automação do registro de testemunhos de sondagem à modelagem preditiva, o potencial da inteligência artificial é imenso e continua expandindo as possibilidades no setor de mineração. Campodonic observou que algoritmos avançados agora ajudam os geocientistas a identificar rapidamente áreas com potencial mineral, otimizando os fluxos de trabalho de exploração e permitindo decisões com base em informações em fases mais iniciais do ciclo de vida do projeto. Exemplos práticos como esse demonstram “o uso da inteligência artificial com propósito, algo essencial para conquistar a adesão dos stakeholders”, afirma Jackson.

A Deloitte relata que 77% dos executivos de mineração acreditam que a inteligência artificial transformará significativamente as operações nos próximos cinco anos, mas apenas 26% se sentem totalmente preparados.

Carroll explica que “a inteligência artificial é uma ferramenta poderosa para eliminar tarefas rotineiras, liberando profissionais para se concentrarem naquilo para o que foram treinados e em que têm experiência, além de aplicarem seu conhecimento em geociências”. No entanto, ela alerta que, embora os ganhos de eficiência sejam vitais, nada substitui a intuição e a expertise humanas, especialmente em situações complexas ou de alto risco, em que contexto e discernimento são fundamentais. Angela Harvey resumiu bem a questão: “Ter um ser humano no processo, alguém para validar e aprovar os resultados, ajuda a gerar confiança nos processos conduzidos por inteligência artificial”.

A licença social da mineração: mudança da narrativa
Apesar de sua importância econômica e estratégica, a mineração ainda é vista de forma negativa pelo público. “A mineração tem um problema de imagem”, admite Carroll. “Isso se deve tanto à realidade quanto à percepção, aos danos do passado e ao distanciamento entre o que as pessoas entendem e a origem dos produtos que consomem.” Reconstruir a confiança começa por ouvir. “Ninguém quer fazer isso porque leva mais tempo. Mas ouvir primeiro, antes mesmo de ir a campo, faz toda a diferença”, enfatiza Jackson.

Carroll acrescenta: “As empresas de mineração investem enormes quantidades de tempo e energia para operar de forma responsável e garantir benefícios às comunidades locais”. Mas as boas histórias raramente viram notícia, e é assim que a ideia do “não no meu quintal” se perpetua. Seja com Samuel L. Jackson ou Taylor Swift como porta-vozes que gerem identificação, seja com engajamento do público pautado na confiança, “se as pessoas considerarem um processo justo, é mais provável que aceitem o resultado, mesmo que não concordem com ele”, explica Carroll.

Um futuro forjado na colaboração
O próximo capítulo da mineração não será escrito por uma única empresa nem por uma única tecnologia, mas pela colaboração entre disciplinas, setores e geografias. Como conclui Harvey, “as oportunidades são imensas se conseguirmos trabalhar juntos — integrando novas tecnologias, novas formas de pensar e um compromisso compartilhado com o crescimento responsável”.

A função da Seequent em reunir geociências, dados e inovação pode ajudar o setor não apenas a se adaptar às mudanças, mas a liderá-las. O futuro da mineração é colaborativo, inteligente e promissor.

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