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Autora: Colleen O’Hanlon

A inteligência artificial deixou de ser um recurso secundário e vem sendo adotada rapidamente no ambiente construído. O whitepaper The Impact of Artifical Intelligence on the Built Environment (O impacto da inteligência artificial no ambiente construído) contém entrevistas com mais de 130 líderes seniores em infraestrutura e construção em todo o mundo e mostra que a adoção da IA está em andamento em ritmo acelerado. As conclusões, publicadas em outubro de 2025 pelas empresas Bentley Systems, Pinsent Masons, Mott MacDonald e Turner & Townsend, deixam claro que a IA vai remodelar a forma como as infraestruturas civis são projetadas, construídas, geridas e avaliadas.

Mark Coates, vice-presidente de avanço das políticas para infraestrutura da Bentley Systems, afirmou que a IA para infraestrutura deixou de ser um experimento.

Ele também comentou que “quase metade das empresas entrevistadas está testando IA ou usando-a em suas operações diárias, e cerca de um terço espera que mais da metade de seus projetos seja baseada em IA para desenvolvimento de projetos, engenharia e construção em apenas três anos. A questão não é mais se vamos adotar a IA, mas se podemos usá-la de forma segura e em grande escala.”

“O que me impressionou foi a praticidade dos primeiros casos de uso. As empresas estão usando IA para automatizar fluxos de trabalho de contratos e documentos, agilizar o desenvolvimento de projetos e a engenharia, além de aprimorar a estimativa de custos, a previsão e o planejamento dos projetos. Esses não são projetos-piloto de ficção científica; eles são iniciativas de produtividade muito reais em projetos em andamento.”

Para um setor historicamente conhecido por sua lentidão em mudanças, a pesquisa destaca grandes oportunidades e desafios importantes, além de mostrar rapidez significativa na adoção e na implantação da IA. Aqui estão os três principais pontos aos quais os líderes de infraestrutura civil devem estar atentos:

The survey revealed organisations are already using AI to automate contract and document workflows, to speed up design and engineering, and to improve cost estimation, forecasting, and project scheduling 
Source: Shutterstock

A pesquisa revelou que empresas já estão usando IA para automatizar fluxos de trabalho de contratos e documentos, agilizar o desenvolvimento de projetos e a engenharia, além de aprimorar a estimativa de custos, a previsão e o planejamento dos projetos.
Fonte: Shutterstock

1. A adoção da IA é real e começa com documentação, desenvolvimento de projetos e engenharia

Um dos sinais mais significativos da pesquisa é que a IA deixou de ser apenas uma hipótese. A maioria das empresas já está testando a IA ou usando-a em partes de suas operações. Quase metade delas está aplicando a tecnologia para automatizar a documentação, e 40% a usam para otimizar o desenvolvimento de projetos e a engenharia.

Processos que exigem muita documentação — como contratos, solicitações de alteração e eventos de remuneração — estão comprovando êxitos iniciais. Isso não é nenhuma surpresa na infraestrutura civil, setor em que a burocracia e as ações judiciais geram grandes custos indiretos e atrasos. A IA está começando a reduzir essa carga de trabalho.

Do ponto de vista técnico, o setor está se concentrando em design generativo, otimização multifatorial e ferramentas para produtividade em engenharia. Quarenta por cento dos entrevistados já usam sistemas de IA para otimizar processos de desenvolvimento de projetos, e a IA generativa (tanto genérica quanto personalizada) está se tornando comum.

O padrão é claro; as empresas estão implantando IA onde ela proporciona ganhos mensuráveis sem comprometer a segurança ou as obrigações regulatórias.

O que isso significa para o setor de infraestrutura civil?

  • Os ciclos de desenvolvimento de projetos serão reduzidos à medida que as ferramentas generativas e de otimização se tornarem padrão.
  • A documentação assistida por IA reduzirá a carga administrativa e melhorará a clareza contratual.
  • As equipes de engenharia precisarão de treinamento extra e reformulação dos fluxos de trabalho para obter ganhos de produtividade.

2. Os modelos de negócios estão se concentrando para entregas integradas, orientadas a resultados e baseadas em dados

A adoção inicial da IA visa eficiência, mas os executivos preveem uma disrupção mais ampla no futuro. Quarenta por cento preveem um impacto significativo em seu atual modelo de negócios, e quase um quarto já está se reestruturando para se preparar.

A IA agilizará a transição de entregas fragmentadas e baseadas em documentos para cadeias de valor integradas e centradas em dados.

O relatório técnico destaca várias tendências:

  • A receita migrará da cobrança por hora e variações para ofertas com preços competitivos, como análises em tempo real, automação e gêmeos digitais;
  • O projeto, a construção e as operações ficarão mais integrados por meio de ambientes de dados compartilhados e fluxos automatizados de trabalho;
  • A vantagem competitiva dependerá do gerenciamento de dados, da origem dos modelos e do controle da propriedade intelectual.

Há muito tempo, a infraestrutura civil depende de processos isolados (os projetistas entregam os projetos aos empreiteiros, e os empreiteiros entregam aos operadores), e cada um com ferramentas e responsabilidades distintas. A IA expõe as ineficiências desse modelo.

À medida que a IA evolui, a continuidade dos dados ao longo do ciclo de vida dos ativos torna-se economicamente essencial. Isso irá reformular os contratos, as estruturas de colaboração e as estratégias de aquisição.

O que isso significa para o setor de infraestrutura civil?

  • A longo prazo, o valor será gerado por serviços digitais e orientado por dados, em vez de apenas por entregas físicas;
  • Os proprietários esperarão que as cadeias de suprimentos operem em plataformas digitais compartilhadas e, dessa forma, aumentarão o padrão de interoperabilidade;
  • À medida que a IA se torna parte integrante da prestação de serviços, as empresas precisam repensar a propriedade intelectual, as estruturas de receita e o compartilhamento de riscos;
  • As empresas investirão tanto em pessoas quanto em processos; Ao serem questionados sobre onde suas empresas planejavam investir para impulsionar o uso de IA nos próximos três anos, 24% dos entrevistados responderam que concentrariam seus gastos em capacidade técnica, pessoas e qualificação da força de trabalho, além da capacidade de treinar e usar IA. Isso significa que alguns profissionais, como cientistas de dados, serão atraídos pelo setor de engenharia civil de uma forma que não ocorria antes.
Mark Coates, Bentley Systems Vice President Infrastructure Policy Advancement 
Source: Bentley Systems

Mark Coates, vice-presidente de avanço das políticas para infraestrutura da Bentley Systems
Fonte: Bentley Systems

3. A governança e o gerenciamento de riscos não estão acompanhando os avanços, e isso determinará o sucesso ou o fracasso da IA.

Apesar da crescente adoção, a governança e os controles de risco estão ficando desatualizados. Mark afirmou que, atualmente, o maior obstáculo à adoção da IA não é o entusiasmo, é a confiança em como os dados serão usados.

Os líderes relataram que a maior preocupação são os riscos do compartilhamento de dados, como propriedade intelectual, privacidade, segurança cibernética e confidencialidade comercial, acompanhados da complexidade da integração da IA aos sistemas existentes e da falta de qualificação interna. “Se quisermos que a IA seja dimensionável, precisamos resolver esses três problemas em conjunto”, explicou ele.

A pesquisa constatou:

  • Apenas 20% das empresas têm uma política completa de IA que inclui governança, ética, segurança e risco;
  • 22% planejam criar uma, mas ainda não o fizeram;
  • 37% têm controles limitados ou inexistentes no nível dos projetos para gerenciar os riscos relacionados à IA.

Os riscos associados a compartilhamento de dados (como propriedade intelectual, privacidade, segurança cibernética e sensibilidade comercial) é a principal barreira para adoção.

Em um setor em que a segurança é essencial, isso é um sinal de alerta. As empresas estão entusiasmadas com a IA, mas muitas não têm estruturas para garantir:

  • Validação de modelos
  • Uso ético e seguro;
  • Responsabilidade clara;
  • Compartilhamento seguro de dados em cadeias complexas de suprimentos;
  • Clareza sobre a responsabilidade se os dados de saída gerados por IA causarem erros.

A pesquisa também mostra que, embora a maioria das empresas permita, aos fornecedores e contratados, o uso de IA, muitas o fazem sem uma supervisão rigorosa.

O que isso significa para o setor de infraestrutura civil?

  • Sem uma governança mais eficaz, as empresas correm o risco de enfrentar conflitos, problemas com seguros, preocupações com a segurança e danos à reputação;
  • Novas habilidades e conhecimentos serão essenciais, como (mas não se limitando a) dados, sua governança e conhecimentos sobre IA;
  • Padrões de dados, estruturas de segurança cibernética e protocolos de validação de IA devem se tornar competências essenciais;
  • O gerenciamento de riscos precisa deixar de ser uma política corporativa e passar a ser uma prática no nível dos projetos.
Current and future use cases for AI. Source: The Impact of Artificial Intelligence on the Built Environment, Pinsent Masons, Bentley Systems, Mott MacDonald and Turner & Townsend, September 2025.

Usos atuais e futuros da IA
Fonte: The Impact of Artificial Intelligence on the Built Environment (O impacto da inteligência artificial no ambiente construído), Pinsent Masons, Bentley Systems, Mott MacDonald e Turner & Townsend, setembro de 2025.

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Em resumo, a IA já está aqui, mas a verdadeira transformação ainda não ocorreu.

Em apenas três anos, um terço das empresas espera que mais da metade de seus projetos use IA para desenvolvimento de projetos, engenharia e construção.

Para se prepararem, as empresas estão priorizando investimentos em:

  • Força de trabalho e qualificação técnica (24%);
  • Dados e processos padronizados (20%);
  • Liderança e gestão para transformação da IA (15%).

A infraestrutura civil tem uma oportunidade rara de romper antigas limitações de produtividade e modernizar a forma como os ativos são criados, entregues e mantidos.

O sucesso dependerá da proatividade das empresas:

  • Defina a sua estratégia para IA;
  • Modernize as bases para dados;
  • Fortaleça a governança;
  • Adote a integração ao longo do ciclo de vida.

Mark esclareceu que a pesquisa sugere uma mudança discreta, porém importante.

“Historicamente, muitas empresas não consideravam os dados de seus projetos como estrategicamente importantes, pois era difícil de perceber o valor.” O sucesso das ferramentas baseadas em dados nas áreas de finanças e seguros mudou as expectativas. Agora, os líderes entendem que, para aproveitar as vantagens da IA, primeiro eles precisam tratar os seus dados como um ativo essencial, e não como um recurso secundário”, explicou ele.

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