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Quando pensamos em uma fundação, geralmente imaginamos o que é visível: a laje de concreto sob uma ponte, o pavimento concluído de uma rodovia ou a entrada de um túnel que atravessa uma encosta. Esses são os pontos de partida físicos que podemos ver, tocar e medir.

As verdadeiras fundações começam onde não podemos ver: nas camadas de solo, rochas e águas subterrâneas abaixo da superfície. Se essas condições não forem bem compreendidas ou consideradas desde o início, poderão facilmente se tornar os elementos mais imprevisíveis e caros de um projeto.

Por que a subsuperfície é mais importante do que nunca

As condições imprevistas do solo estão entre as principais causas de atrasos e custos excedentes em projetos de transporte. De acordo com o CRUX Insight Report de 2024, elas são a segunda causa mais comum de ações judiciais relacionadas ao setor de construção em todo o mundo. Condições de solo mal compreendidas não resultam apenas em pequenos contratempos; elas representam um risco crescente capaz de comprometer cronogramas e orçamentos de projetos inteiros.

Muitos dos nossos sistemas de transporte foram construídos há décadas, em uma época em que os padrões geotécnicos eram menos rigorosos ou se baseavam em dados limitados. Ao mesmo tempo, pressões ambientais — incluindo inundações, subsidência e eventos climáticos extremos — estão aumentando, o que sobrecarrega infraestruturas que podem já estar situadas sobre solos instáveis.

Esses desafios são agravados por pressões sistêmicas do setor: os levantamentos geotécnicos exigem conhecimento especializado e recursos financeiros que muitas agências têm dificuldade para obter. A escassez de mão de obra cria gargalos nas fases iniciais, e mais críticas, dos projetos. Após o início dos projetos, dados em silos, processos desatualizados e comunicação fragmentada frequentemente impedem que os insights sobre a subsuperfície cheguem às pessoas certas, no momento certo.

Nesse cenário, reagir a imprevistos é mais comum do que preveni-los. Para romper esse ciclo, as equipes de projeto precisam de ferramentas e fluxos de trabalho que conectem disciplinas, simplifiquem os dados e permitam respostas ágeis desde o início.•Entender a subsuperfície não é apenas uma questão geotécnica, mas uma condição essencial para a entrega do projeto.

Como ver além da superfície

Tradicionalmente, os projetos de infraestrutura priorizam o que está acima do solo: alinhamento de rodovias, vãos de pontes, drenagem e serviços públicos. Esses elementos são claramente essenciais, mas todos dependem das condições invisíveis do solo.

Quando os aspectos da subsuperfície são tratados como uma fase separada, muitas vezes conduzida por equipes diferentes que usam ferramentas desconectadas, os insights críticos podem se perder. Dados de furos de sondagem podem não ser compartilhados. Modelos geológicos podem ficar desatualizados no momento em que novas informações surgem.

Isso leva a um cenário conhecido: os projetos avançam com base em suposições. O resultado é bastante familiar: as equipes se deparam com rochas ou águas subterrâneas inesperadas no meio da construção. Os retrabalhos começam, os cronogramas atrasam, os orçamentos aumentam e a segurança fica comprometida.

Como construir uma fundação melhor com dados conectados

E se a compreensão da subsuperfície não fosse uma etapa separada, mas uma parte integrada de todo o ciclo de vida dos seus projetos de infraestrutura?

Essa é a abordagem que a Bentley e a Seequent estão viabilizando. A Seequent, The Bentley Subsurface Company, é líder global em software de subsuperfície. Entender o que está abaixo da superfície não é apenas parte do que fazemos — é nosso único foco e nossa principal especialidade. Ao combinar as ferramentas confiáveis da Seequent com as soluções da Bentley para projetos de infraestrutura civil, ajudamos as equipes a preencher a lacuna entre o que está acima e abaixo do solo, transformando riscos ocultos em compreensão compartilhada.

Ao conectar ferramentas avançadas de modelagem geotécnica e modelagem geológica às soluções de projetos de engenharia civil e de transporte, como Autodesk Civil 3D, Bentley OpenRoads, Bentley OpenRail, Bentley OpenBridge e Bentley OpenTunnel, as equipes de projeto podem visualizar, analisar e atualizar sua compreensão das condições do solo em tempo real.

Esse tipo de integração permite:

  • Planejamento mais inteligente: use modelos em 3D que conectam dados de subsuperfície aos dados de superfície desde o início.
  • Gerenciamento proativo de riscos: identifique e mitigue os riscos antes que eles comprometam o projeto.
  • Entrega mais rápida: reduza o retrabalho e os atrasos melhorando a comunicação e a coordenação.
  • Maior resiliência: desenvolva projetos com uma visão completa em mente para obter melhores resultados no longo prazo.

Estrutura no início das operações das tuneladoras em Watsonia. Imagem cedida pela Spark e pela WSP.

E tudo isso funciona porque as ferramentas foram criadas com esse propósito. O trabalho de engenharia civil e geotécnica é complexo demais para soluções genéricas. Os engenheiros precisam de softwares que possam simular condições, analisar a estabilidade de taludes e deformações, além de gerenciar grandes volumes de dados — tudo isso enquanto oferecem suporte à colaboração.

Outro aspecto igualmente importante é a capacidade de trabalhar com dados conectados. Um ambiente digital comum unifica dados geotécnicos, geológicos e de projeto, garantindo que todos os stakeholders, de geólogos e engenheiros geotécnicos a projetistas civis e gerentes de construção, trabalhem com as informações mais precisas e atualizadas.

A mudança é inevitável. A nossa agilidade também.

Os projetos de transporte não seguem linhas retas. As condições mudam. As prioridades se alteram. As regulamentações evoluem. As equipes se renovam. Manter-se no caminho certo exige adaptação constante.

Nem tudo pode ser previsto, mas é possível estar preparado. É por isso que fluxos de trabalho digitais e centralizados são essenciais. Uma plataforma conectada permite que as equipes geotécnicas e de engenharia civil estejam perfeitamente alinhadas à medida que novos dados são coletados em campo. Os modelos podem ser atualizados instantaneamente. Os insights são compartilhados imediatamente.

Essa adaptabilidade não termina no desenvolvimento do projeto. A compreensão da subsuperfície obtida nas etapas iniciais continua agregando valor durante as operações e a manutenção. Seja no planejamento de um reparo, na resposta a um evento climático ou no monitoramento de movimentações de solo, as equipes podem contar com uma base digital que permanece relevante por anos após a construção.

E, quando mudanças inesperadas ocorrem, os fluxos de trabalho digitais e a modelagem de cenários permitem que as equipes respondam rapidamente. Os engenheiros podem simular os efeitos de diferentes condições do solo ou ajustes no escopo, mantendo o projeto em andamento com confiança.

In product screenshot of subsurface modelling using GeoStudio, Leapfrog, OpenRoads, PLAXIS, ProjectWise

Modelo geológico em 3D do Leapfrog. Imagem cedida pela Spark e pela WSP.

Resultados reais

Em todo o mundo, agências de transporte e empresas de engenharia estão comprovando o potencial de uma abordagem conectada com foco na subsuperfície.

  • Documentação eficiente de projetos: a Arcadis utilizou o OpenGround para estabelecer uma única fonte de informações para os dados de solo em todos os seus projetos, oferecendo acesso a equipes internas e externas ao redor do mundo, além de otimizar a documentação de projetos e a produção de perfis de forma eficiente.
  • Estimativas confiáveis de corte e preenchimento: na Austrália, a WSP Spark NEL usou o Leapfrog Works para evitar o descarte de mais de 1 milhão de metros cúbicos de material, economizando 10 milhões de dólares australianos em um projeto rodoviário ao reutilizar materiais do próprio local.
  • Gerenciamento eficaz de infraestruturas antigas: Tecne Systra-SWS utilizou o OpenTunnel em conjunto com a geologia de engenharia do Leapfrog Works e a análise no PLAXIS para aumentar em 80% a produtividade na análise geotécnica, contribuindo para um melhor gerenciamento e para a reabilitação dos túneis na Itália, além de aumentar sua segurança e sua vida útil.
  • Gerenciamento de grandes volumes de dados de subsuperfície: no Reino Unido, a Lower Thames Crossing JV usou o OpenGround para coletar, gerenciar e compartilhar grandes volumes de dados de levantamento no campo em tempo real, otimizando a tomada de decisão e aumentando a transparência.
  • Compreensão e divulgação das incertezas da geociência: para a Transport for London, a Arup criou um modelo geológico do Crossrail 2 com o Leapfrog, ajudando a divulgar as complexas incertezas do solo aos stakeholders e a embasar decisões de projeto.
  • Segurança e confiabilidade das estruturas geotécnicas: a WSP usou o PLAXIS para analisar 160 modelos com simetria axial em um complexo projeto rodoviário, automatizando a análise e a geração de gráficos para facilitar a interpretação dos resultados, destacando a eficiência das ferramentas integradas.
Steel mesh reinforcements. Image Courtesy of Tecne Systra.

Reforços em malha de aço. Imagem cedida pela Tecne Systra.

Esses não são apenas ganhos técnicos; são resultados que melhoram a entrega do projeto, reduzem custos e aumentam a resiliência.

Como criar resiliência desde a base

Em uma era de incertezas climáticas, crescimento populacional e orçamentos de infraestrutura sob pressão, construir sistemas de transporte resilientes é mais crítico do que nunca. Mas a resiliência não se resume apenas a materiais mais resistentes ou alinhamentos mais inteligentes. Trata-se de compreender o que está abaixo da superfície e construir a partir desse conhecimento desde o início.

Ao conectar a compreensão da subsuperfície ao projeto e à execução, não estamos apenas evitando riscos. Estamos criando uma infraestrutura mais duradoura, que se adapta melhor e oferece mais valor ao longo de todo o seu ciclo de vida. Então, da próxima vez que você pensar em uma fundação, não pare na laje de concreto. Pense nas camadas abaixo dela. Porque a verdadeira excelência em engenharia começa abaixo da superfície.

Este artigo foi publicado pela primeira vez no blog da Bentley e foi republicado com permissão.

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