Autor: Manpreet Chhatwal, gerente sênior de contas, Seequent.
Aumentar os gastos com infraestrutura de 4% para 6,5% do PIB pode agilizar o progresso rumo à visão ousada e ambiciosa da Índia, Viksit Bharat, até 2047, de acordo com o ex-sherpa do G20 Amitabh Kant, que falou recentemente no Kantilya Economic Conclave, em Déli.
Por ter trabalhado em uma variedade de projetos em países tão diversos quanto a Índia e a Austrália por quase vinte anos, eu testemunhei em primeira mão como a infraestrutura pode, de fato, criar prosperidade.
Conectando comunidades e permitindo que mercadorias sejam transportadas de forma eficiente, a infraestrutura não só viabiliza a inovação, como cria oportunidades. Embora Amitabh Kant esteja certo ao pensar que a infraestrutura pode ajudar a Índia a concretizar sua visão, haverá desafios ao longo do caminho.
Quando concluída, a fase IV da expansão do metrô de Déli removerá 180.000 veículos das rodovias diariamente e eliminará 266.000 toneladas de poluentes.
Como afirmou Kant recentemente no X: “A execução também exige um planejamento mais inteligente, financiamentos inovadores, instituições capacitadas e um projeto resiliente às mudanças climáticas. Se enfrentarmos esses desafios de frente, a Índia não estará apenas construindo infraestrutura, mas sim a espinha dorsal do Viksit Bharat”.
E já existem desafios, de acordo com um relatório de 2023 do Ministry of Statistics and Programme Implementation (Ministério de estatísticas e implantação de programas), que monitora projetos com valor superior a 1,5 bilhão de rúpias (certa de US$ 18 milhões). Sua análise de dezembro de 2023 sobre 1.820 projetos de infraestrutura constatou que 848 deles foram afetados por atrasos, com custos excedentes totais de projeto superiores a 4,82 trilhões de rúpias (US$ 58 bilhões).
Mas os desafios de construir infraestruturas dentro do prazo e do orçamento não são enfrentados apenas na Índia. Um relatório de 2024 sobre projetos de infraestrutura globais em andamento, conduzido pela consultoria Crux, identificou US$ 84 bilhões em custos contestados e extensões de cronograma que, somados, totalizavam cerca de mil anos.
O relatório da Crux aponta que condições imprevistas do solo são um dos principais fatores que levam a pedidos de extensão de prazo e compensação. Se você pensar bem, isso faz sentido. Toda grande estrutura construída na superfície deve interagir com o solo abaixo dela durante as muitas décadas em que os projetos de infraestrutura servem à sociedade. Isso significa que o risco de execução aumenta quando não há uma compreensão precoce e evolutiva dos riscos relacionados à subsuperfície nem a capacidade de comunicá-los durante a construção, à medida que novos dados de subsuperfície revelam novos insights.
Para que a Índia concretize sua visão nacional, um aspecto fundamental de um “planejamento mais inteligente” é incorporar a compreensão dos riscos relacionados à subsuperfície como base para o sucesso, viabilizando a entrega no prazo e sem estourar o orçamento.
Hoje, as ferramentas de subsuperfície fornecem uma representação ou modelo digital em 3D das condições abaixo do solo, ajudando engenheiros geotécnicos a identificar riscos relacionados, incluindo solo instável, águas subterrâneas e obstáculos ocultos que podem gerar problemas.
A pesquisa da Crux é confirmada pelos atrasos e custos excedentes que afetam projetos de infraestrutura de grande destaque na Índia e ao redor do mundo, como resultado de levantamentos terrestres inadequados.
Um exemplo de grande destaque é o túnel Silkyara, em Uttarakhand, que desabou em 2023, deixando 41 trabalhadores presos por mais de duas semanas, como resultado, principalmente, de um levantamento terrestre inadequado.
Dadas essas realidades, é importante priorizar o levantamento terrestre como algo inegociável em cada projeto. Para permitir um “planejamento mais inteligente”, a Índia poderia reformar o processo de Relatório detalhado de projeto (DPR, Detailed Project Report), de modo a assegurar que esses documentos se apoiem em dados e análises geotécnicas robustos, o que mitigaria ainda mais os riscos de execução da infraestrutura.
Outro aspecto fundamental de um “planejamento mais inteligente” deve ser incorporar a compreensão dos riscos relacionados à subsuperfície como base para o sucesso, viabilizando a execução do projeto. Hoje, as ferramentas de subsuperfície fornecem uma representação ou modelo digital em 3D das condições abaixo do solo, ajudando engenheiros geotécnicos a identificar riscos relacionados à subsuperfície, incluindo solo instável, águas subterrâneas e obstáculos ocultos. Se as condições mudarem, as ferramentas da subsuperfície poderão orientar qualquer alteração na abordagem.
Conectando comunidades e permitindo que mercadorias sejam transportadas de forma eficiente, a infraestrutura não só viabiliza a inovação, como cria oportunidades.
Em minha recente visita à Índia, notei que existe uma compreensão real sobre o poder transformador da tecnologia, percepção reforçada pelo estudo da KPMG, segundo o qual 97% dos funcionários indianos usam intencionalmente a inteligência artificial no trabalho, uma das maiores taxas do mundo.
Isso também se confirmou entre os players do setor de infraestrutura em uma mesa-redonda da qual participei, onde deixaram claro que o uso de ferramentas de modelagem em 3D para melhor compreender as condições do solo pode ajudar a melhorar a probabilidade de entrega no prazo e dentro do orçamento.
Acompanhando essa tendência, organizações governamentais, como o Rail India Technical and Economic Service (RITES), também adotam uma abordagem de projeto com modelagem em 3D como prioridade. O RITES demonstrou como um modelo de subsuperfície em 3D forma a base da mitigação de riscos na renomada linha ferroviária Jammu-Katra, em um evento da New Zealand High Commission do qual participei em Déli.
Projetos de infraestrutura de última geração da Índia, como a fase IV da expansão do Delhi Metro Rail Corporation (DMRC), estão usando ferramentas digitais da Seequent e da Bentley para modelar os riscos do solo e manter as equipes conectadas. O projeto, destinado a fazer do metrô de Déli o sistema mais longo do mundo, retirará 180.000 veículos das rodovias diariamente, eliminará 266.000 toneladas de poluentes e usará energia solar para 35% de suas necessidades energéticas até a conclusão da expansão, em 2026.
A fase IV da expansão do metrô de Déli é um ótimo exemplo de “projeto resiliente às mudanças climáticas”, que Amitabh Kant afirma que se tornará a “espinha dorsal da visão Viksit Bharat”. Mais importante ainda, projetos como esse permitirão que mais indianos se beneficiem do rápido crescimento econômico do país. Com uma das populações mais jovens do mundo e entre as mais adeptas da tecnologia, o futuro da Índia é promissor.