Por Maria Nicolaidis
Os riscos globais
A transição mundial para a eletrificação, energias renováveis e manufatura avançada está acelerando a demanda por minerais críticos em um ritmo sem precedentes. Do cobre e lítio ao níquel e minerais de terras raras, esses materiais são essenciais para as economias modernas e os sistemas energéticos do futuro.
Mas eis o paradoxo: à medida que a demanda continua aumentando, as descobertas fáceis” já ficaram para trás. Os corpos de minério são mais profundos, mais complexos e mais difíceis de encontrar do que nunca e, como resultado, os programas de exploração exigem mais dados, são mais caros e estão sob maior pressão para apresentar resultados de forma mais rápida e sustentável.
Então, o que significa essa nova realidade?
A corrida para descobrir mais minerais não será vencida por empresas que simplesmente fazem mais perfurações no solo. Os vencedores serão aqueles que identificarem as oportunidades das tecnologias emergentes e as adotarem rapidamente, possibilitando fluxos de trabalho integrados, colaboração de dados baseada na nuvem e eficiência impulsionada por IA. Esses recursos proporcionarão aos geocientistas o conhecimento da subsuperfície, que é fundamental para tomar decisões melhores e mais rápidas.
A exploração moderna não se resume a uma discussão sobre ferramentas; trata-se de um debate sobre ecossistema e colaboração de dados.
O desafio que enfrentamos: complexidade e sobrecarga de dados
Existe um tema recorrente que surge constantemente em minhas conversas com profissionais do setor. Embora haja um desejo generalizado de descobrir novos recursos minerais, a busca por esse objetivo no dia a dia é frequentemente marcada pela complexidade. Os dados continuam crescendo em volume e variedade, enquanto os fluxos de trabalho permanecem fragmentados e os dados ficam isolados em silos.
O resultado é incerteza na qualidade dos dados, na interpretação e, em última instância, na tomada de decisões. A 7ª edição, publicada recentemente pela Seequent, do Relatório dos profissionais de geologia sobre gerenciamento de dados, revelou que quase um em cada três profissionais de geologia ainda não tem as informações necessárias para tomar decisões baseadas em dados.
O sucesso da exploração depende de dois fatores: a capacidade de construir uma análise confiável e baseada em dados do que se encontra abaixo da superfície, e a capacidade de comunicar informações com clareza e confiança aos stakeholders. A tecnologia certa é a base de ambos. É assim que podemos acelerar as descobertas, reduzir os riscos e tomar decisões mais inteligentes e sustentáveis para atender à crescente demanda mundial por esses tesouros da subsuperfície.
Uma nova era de transformação digital
É verdade que, historicamente, a mineração tem sido mais lenta na adoção de novas tecnologias em comparação com outros setores, mas sem dúvida existe uma mudança rumo à incorporação de novos recursos. Existe um reconhecimento claro de que uma mudança fundamental na forma como trabalhamos é essencial e que a tecnologia ajudará a reduzir a lacuna entre o insight e a ação.
A Anglo American iniciou um projeto para digitalizar seus processos de gerenciamento de riscos geotécnicos e eliminar os métodos tradicionais e desconexos utilizados na operação. Por meio da adoção de uma solução tecnológica integrada, eles observaram uma redução de 75% no tempo necessário para atualizar modelos geomecânicos em 3D, resultando em um aumento de 120% a 140% na recuperação de projetos a médio e longo prazo.
Dra. Janina Elliott, diretora de segmento da Seequent, Mineração resume perfeitamente: “atualmente, para impulsionar a produtividade digital, o setor precisa adotar, e até mesmo exigir, a padronização e a abertura digital que promova fluxos integrados de trabalho em várias áreas multidisciplinares, parcerias e o tipo de inovação futura que os investidores desejam ver”, e eu concordo plenamente.
Esse é o desafio que estamos encarando de frente na Seequent. É por isso que estamos tão focados em aprimorar nossas soluções completas: as ferramentas que você já conhece, como o Leapfrog Geo e o Oasis montaj, e também o Imago, o MX Deposit e a nossa plataforma de nuvem para geociência, o Seequent Evo e seus aplicativos nativos, o Driver e o BlockSync. Trata-se de criar um ecossistema conectado que redefine a forma como todos trabalhamos com nossos dados.
A Dra. Janina Elliott, diretora do segmento de mineração, explicou como o Seequent Evo ajudou um cliente a reduzir 60% do risco de um projeto.
Crédito: Seequent
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* Relatório dos profissionais de geologia sobre gerenciamento de dados — 7ª edição
* De complexo a confiável: uma nova era para o processamento radiométrico no Oasis montaj
* Assista: Better targeted mining a step towards public acceptance (Mineração mais precisa: um passo rumo a aceitação pública)
Inovação em ação: as ferramentas que me entusiasmam
Uma coisa é falar sobre transformação; outra é vê-la em ação. Como a inovação digital se aplica, de fato, no campo? Vamos abordar alguns detalhes específicos que me deixam pessoalmente entusiasmada.
Todos sabemos que as decisões tomadas nas fases iniciais têm o maior impacto. É por isso que com a nova extensão Radiometrics do Oasis montaj, desenvolvida em parceria com a Medusa, os geocientistas podem extrair informações mais detalhadas de seus dados radiométricos, possibilitando que as equipes se concentrem com confiança nos alvos mais promissores antes mesmo que uma única perfuratriz seja mobilizada. Pense nos riscos, custos e perfurações desnecessárias que podem ser evitadas.
Mapa ternário radiométrico (K–U–Th) no Oasis montaj 2025.2
Os testemunhos de sondagem contêm uma riqueza de informações geológicas, mas sua análise pode ser demorada e sua interpretação, subjetiva. Com o Imago, os recursos baseados em aprendizado de máquina mudam esse cenário. Com recorte automático e análise de imagens, o que tradicionalmente levava horas para registrar testemunhos de sondagem agora pode ser feito em minutos. As análises podem ser executadas em imagens da bandeja de testemunhos de sondagem novas ou antigas, tornando o processo mais consistente e repetível. Com a redução do esforço manual e da variabilidade, os geocientistas podem fazer o que fazem de melhor: interpretar os dados e transformá-los em insights práticos mais rapidamente.
A inteligência artificial, a modelagem e a análise dependem da qualidade dos dados. Se os dados de entrada são ruins, os resultados também serão erto? As validações de dados aprimoradas do MX Deposit. reforçam a integridade dos dados de furos de sondagem no ponto de coleta, melhorando a consistência entre equipes e projetos. Isso é crucial, principalmente quando dados históricos não gerenciados continuam sendo o maior desafio nesse sentido.
57% dos profissionais de geologia consideram os dados históricos não gerenciados um dos principais desafios para suas empresas
Fonte: Relatório dos profissionais de geologia sobre gerenciamento de dados, 7ª edição, da Seequent
À medida que os conjuntos de dados aumentam, também aumenta a oportunidade de descobrir sinais geológicos sutis, mas, assim como encontrar uma agulha em um palheiro, isso pode ser difícil. O Driver utiliza aprendizado de máquina integrado para identificar rapidamente feições e padrões nos dados de sondagem que, de outra forma, seriam difíceis ou demorados de detectar.
Continuidades planares de amostras de alto teor segmentadas de forma automática em agrupamentos espacialmente consistentes que representam veios individuais.
Compreender e quantificar a incerteza é fundamental para construir um modelo de recursos confiável e tomar decisões com base em informações da subsuperfície. As melhorias contínuas no Leapfrog Edge, a simulação condicional baseada em fluxo de trabalho e a análise e a modelagem geoestatística avançadas com o Seequent Evo oferecem suporte a estimativas mais conectadas, transparentes e robustas
A inovação não acontece de forma isolada. A colaboração da Seequent com Orica exemplifica o valor de um ecossistema aberto. A integração do Leapfrog com o Axis Connect da Orica Digital Solutions, por meio do Seequent Evo, aproxima geólogos e sondadores ao simplificar a transferência de dados e favorecer melhores decisões em campanhas de exploração.
Como desbloquear todo o potencial dos dados geocientíficos com o Seequent Evo
Sozinhas, essas ferramentas já são poderosas, mas a verdadeira mágica acontece quando são conectadas. É aí que o Seequent Evo entra em cena. Ele é o elemento que integra tudo.
Eu penso no Evo como uma mesa de jantar. Isso porque a mesa é um lugar central que reúne seus alimentos preferidos e suas pessoas favoritas. O Evo é uma plataforma única e segura que une dados, equipes e aplicativos de forma integrada.
O Evo simplifica a colaboração, permite a inovação contínua e reduz o atrito entre os fluxos de trabalho para respaldar decisões baseadas em dados e ajudar as equipes a se manterem ágeis e produtivas.
O diretor executivo da Seequent, Graham Grant, destacou: “Eliminar os silos libera todo o potencial dos dados subutilizados e permite que as empresas tomem decisões mais rápidas e embasadas que impulsionam seu sucesso. O Evo oferece novos aplicativos de mineração personalizados que funcionam perfeitamente com os aplicativos que os nossos usuários já estão usando”. O Evo não é apenas uma plataforma, “ele incentiva novas ideias e transforma o modo como os geocientistas trabalham”.
De olho no futuro
De acordo com a 7ª edição do Relatório dos profissionais de geologia sobre gerenciamento de dados, 51% dos entrevistados relataram que agora estão usando ou considerando usar inteligência artificial e, de modo geral, a preparação para adotar a nuvem está aumentando.
À medida que os desafios da exploração se intensificam, o caminho a seguir torna-se claro. As empresas bem-sucedidas serão aquelas que adotarem a tecnologia para viabilizar formas de trabalho mais inteligentes.
O cenário da mineração está em um momento crucial e, ao adotar soluções modernas de geociência, as empresas se posicionam para superar desafios de dados, melhorar a colaboração e aproveitar novas oportunidades. Quem agir com rapidez não só permanecerá à frente em um cenário competitivo, mas também redefinirá o que é possível na geociência e na exploração.
Maria Nicolaidis é gerente de marketing do segmento de mineração da Seequent.