Autor: Paul Gorman
Os dados que permitem que as empresas de mineração “vejam o interior da Terra antes mesmo de colocar a primeira pá no solo” estão desempenhando um papel crucial para tornar o setor mais ecológico.
O geocientista e divulgador científico Dr. Christopher Jackson, diretor técnico de subsuperfície da WSP, defende o uso mais inteligente de dados geofísicos para melhorar a sustentabilidade da mineração.
Jackson também gostaria que o setor ouvisse com mais atenção aqueles afetados por suas operações.
Ser capaz de visualizar, logo no início, o que está abaixo da superfície reduz os riscos associados à exploração e ao desenvolvimento.
“Assim, conseguimos direcionar melhor nossas operações, reduzindo nossa pegada e, consequentemente, o impacto ambiental.” Esses dois fatores, em conjunto, nos levarão a um cenário em que a aceitação social, ou a aceitação pública, das nossas operações poderá aumentar.
“Portanto, isso traz benefícios de diversas maneiras, não apenas por permitir uma atuação mais precisa, mas também possibilitando que a mineração avance de forma mais sustentável, respeitosa e consciente.”
A mineração responsável não está ligada apenas à implantação e ao desenvolvimento adequados de tecnologias, afirmou ele.
“Na verdade, é uma mudança que precisa acontecer no nível humano.” A mineração responsável exigirá que nós, geocientistas, estejamos presentes nas comunidades onde a exploração mineral está acontecendo ou pode vir a acontecer e que estabeleçamos um verdadeiro diálogo bidirecional com essas comunidades para entender o que desejam saber.
“Como diz o ditado, ‘não diga às pessoas o que você acha que elas precisam saber; descubra o que elas querem saber’ e, a partir disso, vamos conduzir nossas conversas com essas comunidades. Por isso, vamos ouvir primeiro e falar depois.”
Com isso, o setor conseguiria “fortalecer a licença social para operar”, observa Jackson.
“Podemos conquistar o apoio da comunidade para o que queremos realizar. A questão é: estamos preparados para explorar essas abordagens não técnicas de resolver um problema?”
“Muitas vezes, nos concentramos demais na tecnologia como solução, e não em nós mesmos e no que podemos fazer para tornar realidade aquilo que queremos alcançar.”