Jeremy O’Brien é o diretor de segmento de energia da Seequent e vive em Ōtautahi,Christchurch, Nova Zelândia. Nascido em Christchurch, onde também se formou, O’Brien teve seu primeiro contato com o potencial da energia geotérmica da Ilha Norte ainda na infância, durante uma viagem em família aos gêiseres de Rotorua. Anos mais tarde, já como estudante universitário, voltou a se deparar com esse universo ao conhecer uma perfuratriz de sondagem geotérmica.
Recentemente, conversamos com ele para conhecê-lo melhor.
Oi, Jeremy. É um prazer conhecê-lo. Para começar, o que o trouxe para a Seequent?
Estávamos morando em Londres, durante uma temporada no exterior, como é comum entre jovens neozelandeses. Eu estava na Halliburton, e minha esposa e eu tomamos a decisão de nos mudar para mais perto de casa. Vi o anúncio de emprego da Seequent no LinkedIn, e eu já tinha familiaridade com o Leapfrog, pois a Mercury, empresa para a qual trabalhei anteriormente, o havia testado nas fases iniciais. E havia uma função específica na área de energia geotérmica. Decidi me candidatar e, para minha surpresa, enquanto deixávamos Londres e viajávamos de carro pela Europa, aceitei o convite para entrar na empresa. E foi assim que cheguei onde estou hoje.
Quais aspectos do seu trabalho mais te motivam?
Sempre tive um grande interesse em energia — em como ela impacta a sociedade e no papel que desempenha — e estamos em uma posição bastante singular que dá suporte a grande parte da geração de energia geotérmica no mundo. É incrível levantar pela manhã e trabalhar com as maiores empresas de energia do mundo e também com consultores independentes de energia geotérmica. O segundo aspecto são as pessoas. É importante estar rodeado de pessoas com quem você gosta de conviver e para as quais pode recorrer para tirar dúvidas. A cultura e as pessoas são boas. Há muitas pessoas com ideias semelhantes aqui, motivadas a fazer as coisas de uma maneira melhor e interessadas em como sistemas complexos se conectam.
Jeremy O’Brien, diretor do segmento de energia da Seequent
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Quais mudanças você viu na Seequent?
Em outubro, fará nove anos que estou aqui. Eu acho que eu fui o funcionário número 156 ou algo assim. A empresa teve um crescimento enorme. Eu vi os produtos mudarem e vi a forma como operamos mudar: fizemos aquisições, adicionamos recursos e hoje somos parte de uma empresa maior, a Bentley Systems. Ver a empresa crescer e amadurecer é o mais interessante. Sempre fomos impulsionados por nossa base de clientes, mas também demos saltos importantes e contribuímos para que outros setores avançassem conosco. Um bom exemplo é ter o Volsung como parte da família Seequent. Trazer a modelagem totalmente integrada de reservatórios e instalações de superfície para o setor de energia geotérmica e expandi-la tem sido ótimo de acompanhar. Continuamos transformando a maneira como as pessoas trabalham.
Como a tecnologia moldou a sua carreira?
Quando era geólogo na Mercury, eu costumava desenhar seções transversais no CorelDRAW. Tínhamos um profissional de modelagem de 3D que usava um software específico. Primeiro, comecei com geomodelagem na Halliburton, como parte da minha função, depois me juntei à Seequent e comecei a usar as ferramentas de forma mais estruturada. Eu treinava pessoas e fazia demonstrações do software o tempo todo, estava a todo vapor. Acho que a tecnologia se tornou muito mais presente no dia a dia. E acabou se tornando essencial, porque as pessoas perceberam o quanto as tecnologias são importantes para os resultados de suas empresas. Não é mais apenas um diferencial: tornou-se indispensável.
Qual é o seu principal conselho para conseguir acompanhar o ritmo das mudanças?
Você só precisa ter disposição para se adaptar e aprender. Veja o avanço da inteligência artificial que estamos vivendo atualmente. Eu diria que, até mesmo em nível pessoal, eu deveria estar investindo muito mais tempo nisso, porque as coisas estão mudando drasticamente. O mais importante é ter a mente aberta, porque acredito que, se você não estiver sempre aprendendo e buscando se atualizar, rapidamente perde a perspectiva do que está acontecendo no mundo. Reserve um tempo para testar coisas novas. Se você pensar na mudança tecnológica ao longo das gerações, quando minha família comprou nosso primeiro computador pessoal, tínhamos muitas regras: “cuidado para não quebrar”, “o que quer que você faça, não aperte esses botões”. Mas hoje em dia é diferente: você precisa testar o máximo que puder, descobrir tudo o que pode fazer e aprender. Essa é a chave para o sucesso.
Qual foi a matéria mais útil que você estudou na universidade?
Sempre me interessei por água e pela interação com a Terra. Perto do fim da minha graduação em geologia na Universidade de Canterbury, o falecido professor Jim Cole, um dos meus mentores, me convidou para participar de uma excursão de campo de vulcanologia para a Ilha Norte. Foi a primeira vez que vi uma perfuratriz e, de repente, pude vislumbrar um caminho para algo incrivelmente interessante. O mais legal é que era bastante próximo de um grande setor, como o de óleo e gás, mas ao mesmo tempo era fascinante por estar ligado às energias renováveis e geração de energia. Ficou muito claro para mim que existiam setores nos quais era possível resolver problemas bastante complexos e, ao mesmo tempo, gerar um impacto social.
Houve algum momento desafiador na sua carreira que gostaria de compartilhar?
É uma ótima pergunta. Meus maiores arrependimentos estão ligados a oportunidades que não consegui aproveitar ao máximo. Um dos meus maiores arrependimentos é não ter ido estudar nos EUA por seis meses enquanto eu estava na universidade e ter tido essa experiência. Outra oportunidade que perdi e que lamento até hoje foi durante uma perfuração. Nessas situações, há pessoas da empresa no local que representam a organização responsável pela perfuração. A equipe queria que eu fosse o representante da empresa no turno da noite, e que eu ficasse encarregado da operação naquele período. Mas eu não pude aproveitar essa oportunidade porque estava muito ocupado.
O que você faz fora do trabalho?
Como muitas pessoas aqui, sou uma pessoa relativamente competitiva, mas tenho uma família e três filhos com menos de seis anos, o que me mantém bastante ocupado. O esporte é uma parte central de quem eu sou desde criança. Sou o típico neozelandês que adora rúgbi e críquete. Mas o mountain biking se tornou meu vício. Eu adoro subir as Port Hills e praticar ciclismo na montanha. Corro quando posso, mas isso é mais uma obrigação. Sou uma pessoa sociável, então gosto de estar perto de pessoas que me fazem bem.
Café ou chá?
Chá preto, bem forte.
Então vamos ter que mudar o nome desta coluna!
Livros ou podcasts? Ficção ou não ficção?
Essa é complexa. Eu gostaria de ler mais livros — eu deveria ler mais livros. Mas minha preferência é o podcast. Costumo ouvir enquanto trabalho ou enquanto estou fazendo algo para tentar envolver meu cérebro em outras coisas. Mesmo que você não esteja totalmente envolvido, ainda está ouvindo.
Não ficção. Eu gosto de estar atualizado com o que está acontecendo no mundo, acompanhar o que acontece nos esportes, porque é sempre interessante. Gosto de estar ciente da política sem que ela governe minha vida.
Qual dispositivo tecnológico você comprou recentemente?
A resposta é: dois de uma vez. Comprei um relógio Garmin, e minha esposa me deu fones de ouvido Bluetooth, o que mudou totalmente minha rotina de exercícios, porque com eles posso competir melhor comigo mesmo, já que meu relógio me avisa quando não fiz exercício suficiente. A combinação do relógio com os fones de ouvido tem sido ótima para me motivar.
Obrigado pelo seu tempo, Jeremy. Foi um prazer conhecer você.
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Jeremy é bacharel e mestre em Geologia e Geoquímica pela Universidade de Canterbury, tendo concluído o mestrado com honras. Ele tem experiência em avaliação e gerenciamento de recursos, gerenciamento estratégico e liderança, tendo trabalhado na Mercury, uma operadora líder em energia geotérmica na Nova Zelândia, na equipe de soluções tecnológicas da Halliburton na Europa e, atualmente, na Seequent.