A mineração é fundamental para a economia global. O sucesso em 2026 significa crescimento, inovação e um foco renovado nas pessoas. A Dra. Janina Elliott, diretora do segmento de mineração, é a autora do artigo.
Em 2026, os líderes do setor de mineração enfrentarão um cenário moldado por mercados globais em transformação, rápidas mudanças tecnológicas e necessidade urgente de novas habilidades e talentos. O futuro do setor dependerá de como respondermos com agilidade, inovação e um renovado senso de propósito.
As incertezas não são novidade nesse setor. Na conferência Year in Infrastructure da Bentley Systems em Amsterdã, perguntei ao economista global e diretor fundador do Landfall Strategy Group, Dr David Skilling, o que torna o momento atual distinto de outros períodos de incertezas? Em sua opinião, o que diferencia este momento é a escala e a velocidade inigualável das mudanças impulsionadas pela transição verde, pelo processo de eletrificação e, por último, pela competição política entre as grandes potências, que acrescenta uma vantagem adicional.
Com isso em mente, o que o ano de 2026 provavelmente nos reserva? O próximo ano promete novos desafios e oportunidades exigindo que o setor se mantenha ágil e receptivo a essas dinâmicas em constante evolução.
A demanda por minerais críticos continua aumentando.
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1. Minerais críticos e fornecimento estratégico; ainda não é um superciclo
Impulsionada pela 4ª Revolução Industrial, a demanda por minerais críticos continua crescendo, e embora o mundo esteja no caminho da eletrificação e da transformação digital, o comportamento do mercado ainda não indica o início de um novo superciclo com foco em transição energética.
À medida que a fragmentação geopolítica e a reorganização das cadeias de abastecimento com foco no mercado interno afetam as economias ocidentais e deixam os mercados de investimento com uma sensação contínua de incerteza, o domínio da China no mercado de manufatura e no fornecimento global de minerais críticos mantém sob controle os preços das commodities da maioria desses minerais. Em resposta, os governos estão tratando a mineração como uma prioridade estratégica para autonomia ao agilizarem mudanças em políticas, incentivos e parcerias público-privadas. Essa atividade, que provavelmente continuará em 2026 e nos anos seguintes, cria oportunidades em conhecidas províncias minerais na América do Sul e na África, mas principalmente em novas fronteiras, como a Arábia Saudita, onde os gastos com exploração aumentaram mais de 600% desde 2018.
Enquanto o restante do mundo se atualiza, o setor de mineração sofre uma enorme pressão para operar, no futuro previsível, em um ambiente com margens mais baixas (com exceção de ativos considerados seguros) e custos elevados. Para atender às expectativas dos stakeholders, as empresas diversificadas de mineração se deparam com a necessidade de otimização fiscal e operacional com foco em suas unidades já existentes. Valor em vez de quantidade é a nova meta. Os investidores buscam alocação orientada de capital e retornos claros em vez de crescimento pelo crescimento em si. Simultaneamente, surge um movimento de rotatividade de liderança que busca um novo tipo de CEO com capacidade de se comunicar claramente com todos os níveis da empresa e com os stakeholders externos. Empresas tradicionais de mineração, como Rio Tinto, Barrick, Teck e Anglo American, têm um histórico consolidado de reestruturações, fusões e aquisições, e as condições do setor sugerem que uma maior consolidação entre as grandes empresas do setor é provável no longo prazo. O que elas têm em comum é uma relutância em aceitar riscos, que impulsiona negócios baseados em entidades e jurisdições conhecidas, além de desinvestimentos que remodelam ativamente o mercado de médio porte.
Embora o setor reconheça a necessidade de exploração regenerativa, ele mantém o foco no crescimento inorgânico. Assim sendo, fusões e aquisições em nível avançado de projeto e exploração próxima à mina continuarão desempenhando um papel fundamental. No entanto, o sucesso a longo prazo depende da expansão da busca por novos recursos. A carteira de projetos é escassa e, ainda em 2026, os orçamentos para exploração inicial permanecem estáveis em relação ao ano anterior em jurisdições importantes, como Canadá, Austrália e Estados Unidos. Portanto, onde há dinheiro disponível, o foco é em ouro, prata, cobre e urânio. As empresas de exploração de ouro, em particular, têm se beneficiado do fato de bancos globais comprarem metais preciosos em vez de ativos denominados em dólares americanos, o que tem sustentado uma valorização constante do preço do ouro. Consequentemente, o investimento a curto prazo na exploração de metais preciosos aumentou e pode continuar crescendo.
No futuro previsível, os atuais padrões de investimento global, moldados pela geopolítica, provavelmente permanecerão em 2026 e, apesar de uma perspectiva cautelosamente positiva, a atividade global ainda não apresenta indícios de um superciclo.
A Dra. Janina Elliott, diretora do segmento de mineração, explicou como o Seequent Evo ajudou um cliente a reduzir 60% do risco de um projeto.
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2. A tecnologia como facilitadora — agilidade, integração e plataformas abertas
Compreender as restrições do mercado e a forte concorrência por capital na cadeia de mineração questiona quais diferenciais viabilizam o sucesso de empresas de exploração e produção. A resposta com a qual a maioria dos líderes concorda hoje é que a mineração precisa adotar tecnologias modernas, mas com um senso de urgência ainda maior. A inovação digital na área da tecnologia ocorre a uma velocidade sem precedentes, e estar atento a ela permite se manter competitivo a longo prazo e atrair novos investidores, tanto convencionais quanto, cada vez mais, de setores adjacentes (como Vale do Silício, a indústria automobilística e o setor de óleo e gás entre outros), que consideram uma abordagem digital um trunfo.
Aplicações avançadas de software, gerenciamento de dados baseado na nuvem e automação otimizada por IA em todas as etapas da cadeia de valor são essenciais para impulsionar a otimização operacional e financeira. Mas como escolher entre a infinidade de possibilidades disponíveis agora no mercado de software/consultoria com foco em geociências? A tendência que está se formando aqui considera dois aspectos principais na escolha da tecnologia, que são agilidade e abertura.
Agilidade não se resume a resultados rápidos, mas refere-se a fluxos flexíveis de trabalho que permitem mais eficiência na geração de insights práticos e idealmente em tempo real. Essa forma de coleta e interpretação de dados estruturados substitui, de forma notável, o planejamento estático em cascata em favor de decisões operacionais em tempo real. Por exemplo, atualmente, uma moderna campanha de sondagem depende menos de uma abordagem de malhas estáticas, mas aproveita uma cadeia de suprimentos digital, desde perfuratrizes equipadas com sensores até galpões automatizados de testemunhos de sondagem e laboratórios integrados digitalmente que criam conhecimento geológico durante a execução de perfurações. O tempo de resposta entre a coleta de amostras e a tomada de decisão precisa ser reduzido, mas não a qualquer custo. Para realmente valorizar cada dólar, os dados precisam ser confiáveis, auditáveis e transparentes para que seja possível chegar a conclusões incontestáveis que apoiem uma abordagem ágil para exploração e extração modernas.
Mas isso é mais fácil na teoria do que na prática, principalmente porque a maioria das empresas, em especial as de médio e grande porte, enfrentam um dilema caracterizado por softwares legados, aplicativos internos personalizados e fluxos rígidos e padronizados de trabalho sem margem para tempo de inatividade. Aqui, a transparência se torna importante. Ecossistemas baseados na nuvem que permitam o fluxo livre de dados entre softwares existentes e aplicativos futuros, sem a necessidade de uma reformulação completa do sistema, são fundamentais. Atualmente, para impulsionar a produtividade digital, o setor precisa adotar, e até mesmo exigir, a padronização e a abertura digital que promova fluxos integrados de trabalho em várias áreas multidisciplinares, parcerias e o tipo de inovação futura que os investidores desejam ver.
Para inspirar as futuras empresas de exploração, a mineração deve integrar o seu trabalho à sustentabilidade, à resiliência econômica e à transição verde.
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Saiba mais:
* Assista: Cloud-enabled tech helps remote mining company source gold and global talent (A tecnologia baseada na nuvem ajuda uma empresa de mineração remota a extrair ouro e atrair talentos globais)
* Anglo American: Digital integration boosts safety, sustainability and mine productivity (A integração digital impulsiona a segurança, a sustentabilidade e a produtividade das minas)
* Assista: Driver is the ‘next-generation of intelligent geology solutions’ (Driver é a próxima geração de soluções inteligentes para geologia)
3. Novas habilidades, talentos futuros e relações públicas
Embora o caminho para a vantagem competitiva usando tecnologia pareça claro, permanece a questão sobre como o setor gerenciará a implantação de fluxos modernizados de trabalho considerando as limitações impostas por uma mentalidade rígida de “disponibilidade contínua” e o número cada vez menor de profissionais trabalhando na área de geociências. Nos Estados Unidos, metade dos profissionais de mineração se aposentará até 2029 e, em todo o mundo, os programas universitários estão se tornando cada vez mais escassos. Atrair, reter e qualificar talentos agora é inegavelmente crucial. O segredo não é substituir pessoas por tecnologia automatizada, mas criar um ambiente com foco no futuro, onde a tecnologia apoie os geocientistas modernos com inovação em fluxos mais eficientes de trabalho para reduzir as incertezas e melhorar o retorno sobre o investimento.
Nos últimos anos, o termo “conhecimento de corpos de minério” é o foco das discussões, e está cada vez mais claro que os melhores insights são apresentados por empresas que oferecem aos geólogos experientes a oportunidade de usar dados estruturados de alta qualidade, estatísticas específicas e inteligência artificial para desafiar o
Para inspirar as futuras empresas de exploração, a mineração deve integrar o seu trabalho à sustentabilidade, à resiliência econômica e à transição verde. Não se trata apenas de geologia, mas de moldar o mundo. Apesar do atual foco global em minerais críticos, o setor de mineração ainda enfrenta um problema de imagem pública. Esse setor precisa se posicionar como o setor que vai além da simples extração de minerais do solo, ou seja, ele deve ser visto como líder em gerenciamento de recursos e sustentabilidade, inovação ambiental e parcerias com a comunidade.
Em resumo, a mineração é fundamental para a economia global e para a transição energética. Em 2026, o sucesso dependerá de um crescimento estruturado, inovação responsável e um foco renovado nas pessoas e na sustentabilidade.
Dra. Janina Elliott, diretora do segmento de mineração da Seequent.
Fonte: Seequent