A partir do início de 2026, a rapidez das mudanças ambientais deixa de ser uma preocupação futura e se torna uma realidade presente. Com a crescente pressão sobre os sistemas naturais e a infraestrutura, a demanda por soluções mais inteligentes e baseadas em dados nunca foi tão grande. Neste artigo, o Dr. Thomas Krom, diretor do segmento de meio ambiente da Seequent, aborda três tendências específicas que moldarão o cenário ambiental no próximo ano.
Já ultrapassamos a metade da segunda década do século XXI, e a interseção entre a gestão ambiental, a tecnologia e o desenvolvimento de infraestrutura está remodelando a forma como compreendemos e gerenciamos os sistemas mais críticos do planeta.
Do fundo do oceano aos aquíferos subterrâneos e solos contaminados, a subsuperfície está cada vez mais no centro da resiliência ambiental global. Em 2026, três tendências emergentes definirão essa agenda impulsionando a forma como as empresas planejam, investem e inovam para construir um futuro mais resiliente e descarbonizado.
O foco mudará da escassez de água para segurança hídrica e será viabilizado por uma gestão preditiva e digital de recursos hídricos.
1. A economia azul e a descarbonização — o desafio dos dados geotécnicos de projetos offshore
O impulso global para descarbonização está agilizando o desenvolvimento da economia azul com grandes investimentos em parques eólicos offshore, locais de captura e armazenamento de carbono (CCS, Carbon Capture and Storage) e outros projetos offshore de energia renovável. Em 2026, o principal obstáculo não será mais a ambição, será a capacidade de caracterizar as condições da subsuperfície de forma rápida e precisa. A magnitude e o ritmo acelerado desses projetos criarão uma demanda inigualável por dados geofísicos e geotécnicos de alta resolução para reduzir os riscos dos investimentos, otimizar projetos de infraestrutura e garantir a segurança ambiental a longo prazo. Empresas capazes de fornecer plataformas integradas baseadas na nuvem para gerenciar e modelar grandes e complexos conjuntos de dados de projetos offshore serão parceiras essenciais na construção de uma economia azul sustentável.
Em 2026, haverá continuidade de grandes investimentos em energia eólica offshore e outros projetos de energia renovável.
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2. Resiliência hídrica em um mundo imprevisível — da escassez à segurança
Em 2026, garantir o fornecimento resiliente de água será um desafio global decisivo, que irá além das preocupações relacionadas às costas. O crescimento populacional, a infraestrutura antiga e a frequência cada vez maior de secas e inundações estão exercendo uma pressão inigualável sobre os nossos sistemas hídricos, de vastos aquíferos subterrâneos a reservatórios na subsuperfície. O foco será em uma abordagem holística e preditiva para gestão de recursos hídricos. Isso requer uma compreensão detalhada e dinâmica de todo o ciclo da água, especialmente da subsuperfície. A modelagem avançada será fundamental para gerenciar o esgotamento das águas subterrâneas, avaliar os riscos de contaminação, otimizar projetos de recarga gerenciada de aquíferos e prever o impacto de eventos climáticos extremos. Modelos em 3D da subsuperfície quase em tempo real, com gêmeos digitais para infraestrutura hídrica, podem fornecer recursos para que comunidades e setores migrem de um estado de vulnerabilidade para um estado de segurança hídrica.
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* Geoambiente’s award-winning digital approach protects Brazilian communities’ water supply (A abordagem digital premiada da Geoambiente protege o abastecimento de água para as comunidades brasileiras)
A presença de substâncias perfluoroalquílicas e polifluoroalquílicas (PFAS, Per- and polyfluoroalkyl substances), que pode ser indicada pela formação de espuma na água, se tornará uma questão de grande importância em 2026.
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3. A linha de frente da subsuperfície — combate aos “produtos químicos eternos” para viabilizar uma nova onda de infraestrutura
O crescimento global da infraestrutura pública e privada — de centros de dados e fábricas de semicondutores a redes de transporte — está associado a um legado de contaminação do solo. Em 2026, o foco estará em poluição do solo e da água, particularmente nos insidiosos “produtos químicos eternos”, como os PFAS, que representam uma ameaça significativa ao nosso abastecimento de água. Esses poluentes agravam o número de terrenos contaminados e os riscos que representam; por esse motivo, eles tornam a recuperação e a revitalização desses terrenos não apenas uma opção, mas uma necessidade. Isso cria uma necessidade urgente de levantamentos de alta resolução da subsuperfície e modelagem digital para mapear com precisão as plumas de contaminantes, projetar estratégias eficazes de recuperação e garantir a segurança de novos empreendimentos. A capacidade de compreender e visualizar claramente o que há na subsuperfície será o primeiro passo essencial para construir com segurança a infraestrutura do futuro.
De olho no futuro
Os futuros desafios relacionados ao meio ambiente são complexos, interligados e estão se antecipando, mas as oportunidades para agirmos de forma mais inteligente e com melhor visão de futuro também o são. Ao combinar modelagem avançada da subsuperfície, colaboração baseada na nuvem e insights baseados em dados, as empresas podem ir além do gerenciamento reativo e alcançar uma resiliência ambiental preditiva e integrada.
Seja para aproveitar a economia azul, garantir a segurança dos sistemas hídricos globais ou recuperar o solo abaixo das nossas cidades, a capacidade de ver e compreender a subsuperfície será a base para um futuro mais resiliente e seguro.
Dr. Thomas D. Krom, diretor de segmento da Seequent
Fonte: Bentley Systems