No Congresso mundial sobre túneis de 2025, líderes do setor chegaram a um consenso importante. Os modelos integrados do solo — otimizados por soluções digitais inovadoras — são essenciais para projetos mais inteligentes e resilientes de infraestrutura.
Relatório sobre lideranças inovadoras elaborado por Oana Crisan
Sumário executivo
Os projetos de infraestrutura em todo o mundo enfrentam desafios sem precedentes, como orçamentos mais restritos, cronogramas apertados, exigências de sustentabilidade e condições da subsuperfície cada vez mais complexas.
Apesar dessas pressões, as tecnologias baseadas em dados estão transformando a maneira como os líderes de projeto compreendem, visualizam, constroem e gerenciam infraestruturas.
Ao utilizarem visualização em 3D, colaboração baseada na nuvem e monitoramento em tempo real, as equipes de projetos eliminam as lacunas de comunicação e tomam decisões melhores e mais rapidamente.
Apresentação de Bogusz no estande da Seequent e da Bentley no WTC de 2025
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Esse relatório baseia-se na visão de especialistas líderes em geologia e geotecnia, pioneiros em abordagens integradas que integram dados do solo a decisões sobre infraestrutura.
As suas experiências revelam como os recursos avançados de modelagem geram valor mensurável reduzindo riscos, otimizando projetos, aprimorando a colaboração e conquistando a confiança dos clientes em alguns dos projetos de infraestrutura mais desafiadores do mundo.
Principais conclusões
De nicho a necessidade: a modelagem geológica em 3D evoluiu de um serviço especializado para um componente essencial da implantação de infraestrutura moderna.
Visualização como língua franca (linguagem comum): a visualização digital preenche lacunas críticas de comunicação entre geólogos, engenheiros, clientes e outros stakeholders.
Integração do ciclo de vida: os projetos mais bem-sucedidos integram conhecimentos geotécnicos desde a concepção do projeto até a construção e a manutenção.
Equilíbrio entre humanos e tecnologia: empresas que equilibram inovação técnica e conformidade com os princípios essenciais da engenharia obtêm o maior retorno sobre o investimento.
Futuro integrado: a próxima geração de infraestrutura será definida pela convergência de disciplinas e pela integração de dados de monitoramento em tempo real com modelos digitais dinâmicos.
Weil analisa como as ferramentas de software da Seequent estão ajudando a superar as muitas complexidades no mapeamento do metrô de Viena.
Da solicitação de modelagem ao padrão do projeto — a extensão do metrô de Viena
Quando Jonas Weil e a sua equipe do iC consulenten começaram a dar suporte à expansão do metrô de Viena em 2011, a modelagem geológica era vista como um complemento especializado. Atualmente, ela é um requisito padrão nos projetos. Essa é uma transformação que revela o quanto o setor mudou em sua essência.
Os modelos geológicos não se limitavam a “modelar o solo… eles embasavam decisões”. — Jonas Weil, geólogo associado e parceiro, iC consulenten Ziviltechniker GesmbH
Essa mudança ocorreu porque a modelagem geológica gerou um valor claro e quantificável. Os modelos serviram de base para decisões críticas em todas as etapas, como seleção do método de escavação, gestão de águas subterrâneas, avaliação do risco de recalque e desenvolvimento do projeto estrutural.
Um dos desafios específicos do projeto foi gerenciar o enorme volume de informações e stakeholders. A complexidade geológica também apresentou obstáculos.
Embora desafios como águas subterrâneas e cascalho pudessem ser resolvidos, a equipe precisou lidar com “finas camadas de areia e cascalho nos sedimentos… é muito difícil traçar as camadas de um furo de sondagem a outro”.
Para superar esses desafios, a equipe do Weil usou as soluções inovadoras da Seequent para modelagem em 3D.
“O modelo foi desenvolvido no Leapfrog começando pelo Leapfrog Mining na fase inicial, depois usamos o Leapfrog Geo e, finalmente, o Leapfrog Works”, relatou Weil. “Nós participamos de toda a história desse produto.”
A equipe também usou a plataforma Seequent Central de colaboração em nuvem para comunicação e compartilhamento de informações com o cliente. A integração dos dados em uma única fonte provou ter um valor inestimável.
“A maior vantagem é que um grande volume de informações é compilado em apenas uma fonte, e você pode analisar milhares de furos de sondagem em um só lugar.”
“É possível fazer interpolações em 3D, que não podem ser feitas com os métodos tradicionais, e ter esse incrível recurso de visualização. Além disso, podemos compartilhar o resultado em 3D com o cliente no visualizador para área de trabalho e também com o Central.”
O projeto do metrô de Viena demonstra como a modelagem geológica evoluiu, pois ela deixou de ser apenas uma visualização estática para se tornar uma estrutura dinâmica de apoio a decisões que acompanha o projeto em sua totalidade, criando uma sequência de compreensão da geologia que orienta cada fase.
Veja o que Bogusz fala sobre a natureza crítica da comunicação interdisciplinar na entrevista completa em vídeo.
Dados integrados — eliminação das divisões de disciplinas
No WTC, um tema recorrente surgiu nas entrevistas com especialistas do setor; à medida que os projetos ficam mais complexos, as interfaces entre as disciplinas se tornam mais críticas e mais difíceis de gerir.
“Frequentemente, as falhas de comunicação ocorrem nas interfaces, especialmente quando há alterações no projeto. Algo que alguns podem considerar perigoso, outros sem conhecimento especializado talvez não percebam.” — Dr. Witold Bogusz, especialista em geotecnia e líder de padronização
Esse desafio é particularmente crítico nos complexos empreendimentos urbanos dos Emirados Árabes Unidos, como explicou o Dr. Marwan Alzaylaie, gerente sênior de engenharia geotécnica do órgão governamental de desenvolvimento de Dubai.
“Frequentemente, existe uma desconexão entre as informações geotécnicas e as premissas estruturais. As equipes de engenharia estrutural podem negligenciar aspectos críticos, como a interação entre solo e estrutura, ou confiar em parâmetros geotécnicos excessivamente simplificados”, esclareceu ele.
No WTC, líderes do setor revelaram que a solução é criar ambientes visuais compartilhados em que a complexidade geológica se torne acessível a todos.
- Visualizadores de modelos em 3D como referência principal: eles (a equipe) tinham esse recurso disponível. “Sempre que surgiam problemas relacionados a águas subterrâneas ou escavações, era a referência que eles consultavam”, afirmou Weil.
- Plataformas de dados integrados: “Plataformas como o OpenGround Cloud, da Bentley, representam um avanço, pois centralizam dados de furos de sondagem e testes e os tornam acessíveis para todas as equipes”, destacou Alzaylaie.
- Gêmeos digitais para um impacto holístico: as equipes podem “destacar em formato digital quais são os pontos críticos de emissão de carbono em todo o ciclo de vida da infraestrutura”, comentou Federico Foria, embaixador de inovação e sustentabilidade da ETS. Essa visibilidade permite compreender não apenas os riscos técnicos, mas também os impactos ambientais e sociais.
Apresentação do Weil no estande da Seequent e da Bentley no WTC de 2025
Dos dados às decisões — como equilibrar tecnologia e conhecimento especializado
Em infraestruturas subterrâneas, as incertezas são inevitáveis, mas podem ser quantificadas, visualizadas e geridas. No entanto, no WTC, os líderes do setor enfatizaram que a tecnologia deve complementar, e não substituir, os critérios essenciais da engenharia.
“Os dados são a base de uma engenharia geotécnica segura. Dados imprecisos ou incompletos no início de um projeto podem levar a reformulações dispendiosas e riscos inesperados futuramente”, comentou Alzaylaie.
Alcançar esse equilíbrio exige um compromisso com os conceitos básicos e um ceticismo saudável em relação a uma abordagem de “caixa preta”.
“A inteligência artificial não se importa com ética.” “Você não pode atribuir a outra pessoa a responsabilidade como profissional. Ela precisa ter esse senso de responsabilidade”, considerou Foria.
Esse equilíbrio é essencial na formação da próxima geração de engenheiros. No WTC, os especialistas entrevistados foram unânimes em suas recomendações; eles identificaram uma clara necessidade de fundamentar a fluência digital na experiência do mundo real e em princípios básicos.
Uma missão para a próxima geração
- Suje as suas botas: “Percorra o campo e observe o solo. A experiência prática aumentará a compreensão sobre o comportamento do solo e como o projeto se converte em realidade”, insistiu Alzaylaie.
- Domine os conceitos básicos: “Seja um geólogo, não apenas um modelador. Se a compreensão da geologia estiver errada, o modelo será inútil, por mais sofisticado que pareça”, alertou Weil. Foria concordou: “Volte aos conceitos básicos; o pensamento crítico é essencial.”
- Entenda o motivo: “Não basta seguir o código ou executar simulações. É necessário compreender as premissas subjacentes, as limitações do local e a lógica construtiva por trás de cada solução”, esclareceu Alzaylaie.
- Seja um comunicador: “Muitas vezes, os engenheiros fazem coisas incríveis, mas as pessoas não sabem disso”, ressaltou Foria destacando a necessidade de eliminar os limites entre as áreas.
Apresentação de Foria no estande da Seequent e da Bentley no WTC de 2025
O futuro — convergência, conectividade e aprendizagem contínua
Olhando para o futuro, os líderes do setor vislumbram um cenário definido por mais integração entre disciplinas, tecnologias e fontes de dados.
“A interação entre modelagem do solo, hidráulica e o projeto estrutural ajudará a consolidar os dados. Mas é a intuição humana, o discernimento da engenharia, que permanece no centro”, pontuou Foria.
O objetivo final é um estado de verdadeira conectividade.
“A integração de dados de monitoramento em tempo real com o modelo numérico é transformadora. Quando o feedback dos sensores é integrado a modelos geotécnicos ou gêmeos digitais, é possível atualizar continuamente as previsões e melhorar a confiabilidade das estratégias de projeto e construção”, complementou Alzaylaie.
Conclusão — o caminho a seguir
- As perspectivas desses líderes do setor oferecem uma direção clara para as empresas de infraestrutura. O sucesso já não depende da excelência em uma única disciplina, mas da capacidade de integrá-las. As empresas que prosperarem serão aquelas que integrarem a modelagem geológica desde cedo, tratando-a como uma estrutura essencial de apoio à tomada de decisões.
- Invista em recursos de visualização que criem uma linguagem comum para todos os stakeholders.
- Promova uma cultura que equilibre inovação digital com conhecimento técnico essencial.
- Forme a próxima geração de engenheiros combinando fluência digital com conhecimento detalhado sobre a área.
Como Foria nos lembrou, uma infraestrutura bem-sucedida não se resume apenas a software, mas também a “como ele muda a colaboração”. Ao adotar abordagens integradas para modelagem do solo, as empresas podem construir não apenas uma infraestrutura melhor, mas também equipes mais eficientes, soluções mais sustentáveis e a confiança que forma a base de qualquer projeto bem-sucedido.
SOBRE ESTE RELATÓRIO
Este relatório sobre lideranças inovadoras foi elaborado por Oana Crisan, gerente sênior de marketing de produtos e do setor da Bentley Systems. Ele combina insights obtidos a partir de uma série de entrevistas que ela realizou no Congresso mundial sobre túneis de 2025 e virtualmente com os seguintes líderes do setor:
- Jonas Weil, geólogo associado e parceiro – iC consulenten Ziviltechniker GesmbH [Leia a entrevista]
- Federico Foria, embaixador de inovação e sustentabilidade, diretor de geotecnia, geologia e hidráulica e diretor de pesquisa e desenvolvimento – ETS [Leia a entrevista]
- Dr. Witold Bogusz, especialista em geotecnia e diretor de padronização – Jacobs (anteriormente) e Bechtel Corporation (atualmente) [Leia a entrevista]
- Dr. Marwan Alzaylaie, gerente sênior de engenharia geotécnica – órgão governamental de desenvolvimento de Dubai e professor adjunto da universidade Heriot-Watt em Dubai [Leia a entrevista]
A abordagem integrada apresentada neste relatório é viabilizada pelos fluxos de trabalho digitais integrados da Bentley Systems e da Seequent, The Bentley Subsurface Company.
Esse processo começa com o gerenciamento centralizado de todos os dados geotécnicos em um ambiente baseado na nuvem, criando uma única fonte de informações. A partir dela, as equipes criam modelos dinâmicos em 3D da subsuperfície que representam com precisão as condições do solo. Em seguida, esses modelos geológicos são integrados diretamente em um ambiente abrangente de desenvolvimento de projetos. Dessa forma, é possível detalhar os componentes estruturais e o alinhamento do túnel no contexto completo com a subsuperfície, além de compartilhar essas informações sobre o solo com aplicativos integrados de projeto civil para pontes, ferrovias, rodovias, drenagem e obras no local, o que garante uniformidade em todo o projeto. Esse modelo unificado gera informações para análises geotécnicas avançadas. Assim, os engenheiros podem simular interações complexas entre solo e a estrutura, além de validar o desempenho, garantindo a aplicação do conhecimento da subsuperfície de maneira uniforme desde o levantamento até a construção.